quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

QUE DUAS SOLIDÕES PROTEJAM, TOQUEM E SAÚDEM UMA À OUTRA


O que realmente temos na promessa do amor incondicional? Ágape? Talvez o mais perturbador de todos os medos seja que meu compromisso de amor incondicional seja de certa forma uma negação ou renúncia de mimmesmo, um triste adeus à sensação de identidade pessoal. Tenho medo de ter de renunciar a meus interesses individuais e gostos pessoais. Na verdade, se esses medos se concretizassem, não poderia haver relação amorosa de nenhum tipo, porque relacionamento é sinônimo de dois. Khalil Gibran, em seu livro mais lido, “O Profeta”, diz que o amor incondicional não deve ser concebido como a transformação de duas ilhas que continuam em um continente sólido. Uma relação amorosa, sugere ele, deve ser como duas ilhas que continuam separadas e distintas, mas cujas praias são banhadas pelas mesmas águas do amor. Rainer Maria Rilke diz: “O amor consiste nisto: que duas solidões protejam, toquem e saúdem uma à outra”. Uma pessoa pode entregar sua própria identidade a outra por falta de respeito por si mesma ou por necessidade de aprovação, mas nunca é possível fazer isso em nome do verdadeiro amor.

(copy-desk by Eugenio Santana, FRC – escritor, jornalista, publicitário, crítico literário e poetalado. Autor de livros publicados.)

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