quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O LEITOR


O dinheiro em si mesmo não traz felicidade, mas a falta dele pode tirá-la drasticamente. O dinheiro não enlouquece, mas o amor por ele destrói a serenidade. A ausência do dinheiro nos torna pobres, mas o mau uso dele nos torna miseráveis.
Onde estão os flexíveis? Em que espaços se encontram os que são amigos da tolerância? Onde estão os que lapidam a sua irritabilidade e ansiedade? Onde estão os que agem com brandura quando contrariados ou frustrados?
Parem com a necessidade neurótica de mudar os outros. Ninguém muda ninguém. Quem cobra demais dos outros que de si mesmo está apto para trabalhar numa financeira, mas não com os seres humanos.
Viver bem se deve mais à arte de saber perder do que de saber ganhar. Esperar muito dos outros é um barco furado.
Eu só tenho fome de conhecimento. Digeri livros. Tive acesso a uma das mais extraordinárias bibliotecas. Li dia e noite, como um asmático que procura o ar. Li mais de nove livros por mês. E quase cento e vinte por ano. Livros de poemas, filosofia, holismo, misticismo, neurociência, auto-ajuda, teologia, história, esoterismo, antropologia, sociologia, psicologia, mitologia. Li comendo, sentado, em pé, andando, correndo. Minha mente parecia uma máquina que fotografava páginas e mais páginas de conhecimento. Todo esse conhecimento me ajudou a reorganizar meu passado, restaurar minhas rotas destruídas. Tornei-me assim o ser humano que vocês vêem, um pequeno e imperfeito consultor de idéias; um ínfimo fragmento da Biblioteca de Alexandria.

(EUGENIO SANTANA, FRC – é Superintendente de Imprensa de um órgão municipal do estado do Rio de Janeiro; jornalista profissional desde 2002; Escritor, poeta, copidesque e crítico literário; quatro livros publicados; membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas – cadeira número 2; Sócio da UBE-GO/SC; Colaborador do Greenpeace; Colaborador da ADESG-DF. Dezoito prêmios literários, em âmbito nacional.)

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