segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A ÁRVORE DA SERRA


- As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minha alma!...

- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

(Augusto dos Anjos veio da Paraíba para o Rio de Janeiro em 1910.
Com 26 anos, recém-casado, pensava conseguir na capital do Brasil
um meio de subsistência compatível com a cultura e o talento que
possuía. Não teve êxito e sua desilusão seria ainda maior: não
encontrou nem mesmo quem lhe apreciasse o estro.)

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