sábado, 13 de fevereiro de 2010

PÁSSAROS BRANCOS SOBRE FUNDO AZUL




Ah, quem me dera compreender as nuances das Asas do Amor. Hoje a destinação daquilo que fora traçado previamente, não condiz com aquilo que o coração pede em silenciosa linguagem e depois implora, exige, implode.
O conto não sai da gaveta impune, isento de dor, transbordando calor humano; pleno de vitalidade.
Nós criamos pedaços de vida, fragmentos de consciência e sentimentos de culpa atirados ao vento.
O poeta, o filósofo, o pensador, o artista: andarilhos do tempo, repórteres das estrelas...
Quantas formas e fórmulas de rotular, fossilizar, moldar, galvanizar, malhar, espinafrar e discriminar.
Quantas resistências frágeis tendendo a romper o último fio. Quanto conceito generalizado, preceito e filosofia falhos na malha trágica das "Leis constituídas"...
O conto não sai da gaveta e nem a gaveta libera ou liberta o conto, a gaveta sequer pode ser taxada de depositária-reacionária de algo absurdo-abstrato, conceitual, minimalista, risível ou neurofórico. Não. A gaveta, não! Caríssimos companheiros de luta: músicos, artistas plásticos, escultores, atores, poetas, cronistas; utopistas e visionários de carteirinha: definitivamente a gaveta, não!
O Amor, sim: este pavio aceso que vive de explosões, frêmitos e êxtases, este carrapato sócio-emocional que nos rouba a alma e compra à prazo gotículas e estilhaços de emoções que burilam nossa (in)capacidade (in)violável de ser (in)feliz na Dor...
Hoje, o vento varre as folhas outonais que ficaram presas às asas da memória; agarradas aos musgos do pensamento profundo, oriundo não sei de onde, não sei de quê...
Os aviões decolam. Os pássaros - livres na amplidão - alçam vôos rasantes ao despertar da manhã de setembro. Os colibris voejam ao encontro do néctar mirífico no pólen das flores.
Os garis recolhem o lixo (atômico-astronômico?) cotidiano, nas cidades cosmopolitas e consumistas de países, repúblicas, continentes.
A vida, enfim, prossegue inexorável nas asas do tempo. Os mistérios insondáveis que se ocultam por trás dos bastidores, é uma cortina de fumaça, um rio extremamente largo de profundezas duvidosas - homens da Imprensa? - uma tela em branco, um grande e indecifrável enigma...
Nossa fragilidade não permite, hoje, a conclusão de um texto rápido, um poema, enfim, um lacônico conto.
Há vôos místicos de alma e coração. Existem rosas azuis intangíveis num oásis de luz com o nome de jardim cósmico.
Uma vontade infinitamente rebelde de atravessar o grande rio, pular o muro, embora haja uma pedra de gelo adornando a almaladazul.
Por quê minhas mãos tremem e teimam em querer romper o véu e juntar-se aos desígnios que não são meus? Ah, velha e impostergável história do Karma!...
Hoje, a poeira das estradas, o olhar da janela e os gerânios que não vicejaram; santas dúvidas e interrogações, imensas incertezas.
As asas do sonho e os pés alados da esperança fincaram profundas estacas em meu coração. Tatuagem milenar impressa na alma. E a antiga e extasiante vontade de morrer sob as asas esvoaçantes de eros, cai de vez por terra.
Na asa da lembrança e no espelho do talismã da memória, quem me dera soltar PÁSSAROS BRANCOS SOBRE FUNDO AZUL e captar-lhes o suave bailado ao sabor do vento, a rota livre no ballet do vasto espaço.
Uma alma leve que voa. Agnóstico espírito inquiridor.


(Eugenio Santana, FRC.)

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